Hauptsitz

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010 às 11:18
Não consegui prestar atenção em nada. Até a palavra atenção me gera me lembra tensão. Não consegui prestar atenção na aula, em nada, nenhuma palavra, nada que desse proveito, nada que não tivesse sido interrompido por um devaneio, por um desejo, que insiste, não desiste, não se cala, me maltrata defasando o que já me exaustava.


Falta de organização mental generalizada, causada pela mais simples das monossílabas, que poderia ser facilmente aniquilada e resolvida pela mais simples e banal das dissílabas: sede.

Quem vivo nunca provou da abstinência da água? Mesmo que por meros instantes, ou horas que sejam? Com certeza que afirmou que a garganta secou, a garganta e você se irritaram você pressionava a garganta na ilusão e esperança de fazer cessar o pensamento e desejo constante em beber água, absurdamente se afogar nela, devaneiadamente por segundos seus olhos brilharem por finalmente ter conseguido saciar-se. Vai me dizer que não penoso tal sensação?

Quem nunca ficou horas sem comer? O estômago dói, o fígado reclama, dores te acometem, embrulhos e rodeios, sem devaneios. Todo mundo já passou, e não é ruim, definitivamente? Sim, é. Mas é suportável ficar horas sem se alimentar, digerir, sintetizar forças e energia, contudo é mais facilmente tolerável que ficar sem água.

Água deslizando e fluindo, como desejos, caindo em cascatas e te deliciando, como desejos. Persistentemente desejos. Não saciados, não atendidos, não deliciados, só distanciados.

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